Mais do que tijolos e paisagens, nosso patrimônio é a alma de Itatiba. E essa alma está mais viva do que nunca. De palacetes imponentes e igrejas centenárias a chaminés industriais e as charmosas ruas de pedra, estamos trabalhando para que cada capítulo da nossa história seja preservado e celebrado.
Recentemente, demos um passo fundamental ao proteger marcos de nossa arquitetura industrial, garantindo que o progresso de ontem inspire as gerações de amanhã.
⛪ Itatiba: patrimônio vivo, memória que se renova
A preservação do patrimônio histórico, artístico e arquitetônico é um pilar fundamental para manter viva a memória coletiva e valorizar a cultura de uma comunidade. Em Itatiba, esse compromisso com a herança cultural se manifesta em ações contínuas e robustas, garantindo que as futuras gerações possam se conectar com a rica história e identidade da cidade. Nosso patrimônio não é apenas um registro do passado; é um motor de desenvolvimento cultural, turístico e econômico, impulsionando o presente e moldando o futuro.
Itatiba orgulha-se de suas iniciativas de proteção patrimonial, sustentadas por um sólido arcabouço legal e pela atuação dedicada de seus órgãos. O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico de Itatiba (COMDEPAHCTI), criado pela Lei nº 2.710 de 02 de outubro de 1995 e alterado pela Lei nº 4.877 de 03 de novembro de 2015, desempenha um papel central nessa missão. O COMDEPAHCTI é o guardião dos bens de interesse histórico, cultural e turístico do município, garantindo que as decisões sobre intervenções e preservação sejam tomadas com a devida consulta e aprovação.
A proteção do patrimônio em Itatiba é formalizada por meio de leis municipais específicas. A Lei nº 3.062, de 26 de outubro de 1998, por exemplo, declarou o Paço Municipal “Prefeito Roberto Arantes Lanhoso” como bem de proteção permanente, reconhecendo sua importância histórica e arquitetônica na Praça XV de Novembro. Da mesma forma, a Lei nº 3.418, de 18 de dezembro de 2000, estabeleceu categorias de preservação e listou diversos bens protegidos, como a Basílica de Nossa Senhora do Belém e a Igreja Nossa Senhora do Rosário na categoria de Preservação Integral Especial. Outros bens protegidos por esta lei incluem o Solar dos Alves Lanhosos e o Palacete Ferraz Costa (Preservação Integral), além do Palacete Damásio e o antigo prédio da CPFL (Preservação de Fachadas). Vale ressaltar que o Solar do Alves Lanhosos e o Grupo Escolar Coronel Júlio César também foram tombados em âmbito estadual, através das Resoluções SC-22 de 1987 e 60 de 2010, respectivamente.
Avançando na proteção do patrimônio: as recentes deliberações do COMDEPAHCTI
O trabalho do COMDEPAHCTI é dinâmico e contínuo, visando sempre à ampliação e à atualização do “Inventário de Imóveis de Interesse Histórico do Município”. Na reunião ordinária de 06 de maio de 2025, importantes deliberações foram tomadas, reforçando o compromisso de Itatiba com a preservação de sua identidade.
Entre os destaques da reunião, está a aprovação unânime para a preservação de bens de arquitetura industrial, reconhecendo sua relevância histórica e arquitetônica. Foram formalmente incluídos no inventário:
- Edifício em arcos da Vicunha: uma fração dos antigos edifícios industriais localizados na Avenida Expedicionários Brasileiros, n.º 79, que foi objeto de um estudo detalhado e teve sua preservação aprovada por unanimidade, incluindo não apenas a fachada, mas todo o imóvel que possui os semiarcos. A proposta também sugere a inclusão de um terreno vazio lateral como área envoltória para garantir a visibilidade e servir como estacionamento futuro.
- Antigas chaminés da Indústria “PABREU” e da antiga “Companhia Brasileira de Fósforos” (hoje Grupo Vicunha): classificadas como “monumentos históricos”, suas preservações também foram aprovadas por unanimidade. Um ponto importante foi a inclusão de uma pequena estrutura em tijolos, semelhante a uma torre, ao lado da chaminé da PABREU, que forma um conjunto significativo e também será preservada. O Conselho sugeriu a criação de pequenas praças e espaços de uso comum nos entornos dessas chaminés, com atenção às diretrizes de altura para futuras construções que possam prejudicar a visibilidade.
A reunião também tratou do Edifício do Mercado Municipal Dona Lica, já incluído no inventário desde 1.º de novembro de 2024. Foi avaliado um projeto para intervenções na cobertura, porém, a proposta de demolição da platibanda para instalação de calhas externas foi unanimemente rejeitada, por modificar significantemente as características do imóvel. Em vez disso, foi nomeado um novo Órgão Técnico de Apoio (OTA) para colaborar com sugestões que permitam as recuperações necessárias sem descaracterizar o edifício preservado.
Além dessas deliberações específicas, o COMDEPAHCTI aprovou formalmente a listagem de diversos bens já estudados e aptos a serem incluídos no Inventário, que abrangem uma vasta gama de tipologias:
- Arquitetura e marcos religiosos: como o Complexo da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e diversas capelas históricas.
- Arquitetura civil: incluindo o Edifício do Conservatório Municipal Alba Panzarin Degani e a Casa Rosa da Mulher (Casarão dos Selegas), ambos já sancionados ao inventário.
- Monumentos, homenagens, estátuas, bustos e mirantes: uma rica coleção que celebra personalidades e marcos históricos da cidade, como o Busto de Roberto Arantes Lanhoso, a Estátua do Senador Paulo Abreu, e o Monumento à Bíblia, entre outros.
- Calçadas e ruas antigas de pedra: preservando o charme e a história das ruas e calçadas com mosaico português ou granito, especialmente no entorno da Praça da Bandeira e da Basílica de Nossa Senhora do Belém.
- Fazendas e núcleos históricos: reconhecendo a importância rural e histórica de propriedades como a Fazenda Boa Vista, Fazenda Pereiras e o Hotel Fazenda Dona Carolina.
O Conselho também está proativamente definindo novos bens a serem estudados para futura inclusão no Inventário, como os antigos galpões da Indústria Velho Barreiro, outras capelas, e importantes exemplares de arquitetura civil, além de matas urbanas e o Quilombo Brotas, demonstrando um olhar abrangente sobre o patrimônio da cidade.
Apesar de desafios, como a falta de colaboração de algumas secretarias municipais e a necessidade de comunicação urgente com os proprietários sobre os processos de tombamento, o COMDEPAHCTI segue firme em seu propósito. A determinação do Conselho em buscar diálogo com os proprietários, destacando os benefícios da preservação tanto para eles quanto para o município, é um reflexo do compromisso de Itatiba com seu legado.
Em Itatiba, a preservação do patrimônio é uma ação coletiva que envolve conselheiros, técnicos, e a comunidade. É um investimento contínuo na memória e no futuro, garantindo que as heranças vivas da cidade sejam protegidas, valorizadas e apreciadas por todos. Convidamos você a conhecer e apoiar essas iniciativas que fazem de Itatiba um exemplo de cuidado com sua história e cultura!
Galeria
Seguem fotografias históricas de alguns dos marcos citados, respectivamente, o antigo prédio da CPFL, o Grupo Escolar Júlio César, o Palacete Ferraz Costa, uma vista da região central de Itatiba (incluindo a Praça da Bandeira, o Palacete Alves Lanhoso ao fundo e, à esquerda deste, parte do Palacete Damásio), a Basílica de Nossa Senhora do Belém e a Igreja Nossa Senhora do Rosário.






Fonte: Acervo Foto Parodi – Rogério Scavone.
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